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Fim de Partida (Endgame)

Autor: Samuel Beckett
Encenação: Carlos Pimenta
Estreia: 21 de Junho

 

 

Sinopse

Fim de Partida é talvez a peça mais fascinante de Samuel Beckett. Escrita originalmente em francês (Fin de Partie - 1957) foi traduzida para inglês pelo próprio Beckett com o título Endgame.
Num espaço fechado (bunker, abrigo) as duas personagens principais (Hamm e Clov) agem e dialogam num jogo de repetições próprio da comédia burlesca e claramente inspirado em personagens como BusterKeaton ou Laurel &Hardy.
Hamm está paralisado e é cego. Clov não se pode sentar. Entre estas duas personagens estabelecem-se relações de poder, manipulação, dependência e submissão, que nos dão a ver uma disfuncional ligação entre ambas. Nesta peça árida (que conta ainda no mesmo espaço com os pais de Hamm enfiados em caixotes de lixo) só o jogo, a repetição e o diálogo permitem que se sobreviva. Lá fora tudo é cinzento e talvez a vida não tenha lugar. Pelo menos neste lugar fechado (que protege mas também delimita um território) seja possível o simulacro de uma vida sempre adiada. De entre todas as personagens, parece que só Clov tem capacidade para criar um verdadeiro acontecimento e alterar a rotina em que se encontram. Enuncia-o no início da peça. Até ao fim, ficamos suspensos da sua tomada de decisão.

Ficha Artística e Técnica

Autor: Samuel Beckett;
Encenação e Cenografia: Carlos Pimenta
Tradução: Francisco Luís Parreira
Interpretação: Pedro Lacerda, Ivo Alexandre, Nuno Correia Pinto e Anabela Faustino
Desenho de Luz: Rui Monteiro
Operação Luz: Marco Lopes
Mestre Costureira: Adélia Canelas
Fotografia: Doroteia Luís
Produção Executiva: Regina Gaspar
Secretariado de Direcção e Produção: Cristina Costa
Imagem Gráfica: Marco Lopes
Assessoria de Imprensa: The Square
Montagem: Luíz Quaresma e Filipe Palhais
Serralharia: Ana & Jorge
Frente de Sala: Filipe Palhais
Bilheteira: Paula Malhado
Direcção Artística e de Produção: Nuno Correia Pinto
Agradecimentos: Graça Afonso Cruz

 

Biografia Autor

Samuel Beckett

Samuel Beckett nasceu em Dublin, em 1906, numa família de classe média confortável, pertencente à minoria protestante numa sociedade predominantemente católica. Teve acesso a uma educação de excelência e formou-se no Trinity College de Dublin, com especial destaque nas línguas francesa e italiana. O seu primeiro trabalho foi o de professor de inglês na École Normale Supérieure de Paris. Em 1931 voltou para a Irlanda como leitor de literatura francesa, tirou o mestrado em francês e regressou a Paris como professor em 1932. Desde então passou a viver permanentemente em Paris, com a excepção das viagens ao estrangeiro e da retirada para a zona não ocupada de Vichy, em França, entre 1942-44.

O ensino depressa se revelou incompatível com as suas actividades criativas, pelo que Beckett concentrou toda a atenção na escrita. Durante as décadas de 30 e 40, escreveu estudos de crítica literária (Proust e outros), poemas, e dois romances (Murphy e Watt), todos em inglês. No fim dos anos 40 passou a escrever em francês. Parte da razão para tal foi a rejeição liminar da Irlanda enquanto pátria. Quando interrogado sobre a incompatibilidade com a Irlanda, deu a mesma explicação que foi dada por outros expatriados irlandeses famosos, como Sean O'Casey e James Joyce:não podia tolerara rígida censura de tantos aspectos da vida, especialmente a censura arbitrária de muitas obras literárias levadas a cabo pelo clero católico. Para além disso, a situação política criava um anti-intelectualismo opressivo. Mesmo depois de se ter tornado famoso, recusou-se a permitir a apresentação de algumas das suas peças na Irlanda.
Em 1958, durante o Festival Internacional de Teatro de Dublin, uma peça do seu compatriota O'Casey foi banida, e Beckett, em protesto, retirou as suas peças, que não voltaram a ser vistas na Irlanda. Como a maior parte dos seus dramas foi escrita em francês e apresentada pela primeira vez em Paris, muitos críticos têm dificuldade em classificar definitivamente as obras de Beckett: devemos considerá-lo um autor francês ou irlandês? A natureza das suas personagens, mesmo quando se chamam Vladimir ou Estragon, parece ser mais caracteristicamente irlandesa do que de qualquer outra nacionalidade. Basicamente é uma questão discutível mas irrelevante, porque Beckett ao escrever em francês era o seu próprio tradutor do inglês e vice-versa. Assim as suas obras não correm o risco de uma eventual traição ao espírito do autor e as suas grandes peças pertencem agora ao domínio da literatura mundial.

 

Biografia Encenador

Carlos Pimenta

Nasceu em Lisboa em 1958
Encenador e actor.
Licenciado em Ciências da Comunicação (comunicação, arte e cultura) – Universidade Nova de Lisboa.
Mestre em Ciências da Comunicação (cultura, arte, novas tecnologias) – UNL.
Doutorando em Ciências da Comunicação – Universidade Lusófona. Curso de Gestão das Artes (Instituto Nacional de Administração).Curso de Fotografia Ar.Co. Responsável pelo Departamento de Teatro do IPAE | Ministério da Cultura, entre 1997 e 2001. Consultor para a Internacionalização do Instituto Camões entre 2002 e 2008. Representante de Portugal junto da Comissão Europeia para as áreas das Parcerias Criativas e Residências de Artistas. Professor na Universidade Lusófona e director da Licenciatura em Artes Performativas e Tecnologias (Lisboa) e da Licenciatura em Artes Dramáticas (Porto). A par da sua actividade artística (teatro | artes performativas tem desenvolvido trabalho de investigação no que respeita às relações entre arte, cultura e tecnologia.
Em 2004 foi condecorado pelo Governo Francês com o Grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras.
Principais produções como encenador:
Morte de Um Caixeiro Viajante – Direção e cenário. CTAlmada | Teatro Municipal Joaquim Benite; A Grande Vaga de Frio – com Orlando de Virginia Woolf. Direção e cenário. Prod: Ensemble |TNSJ | CCB; Quarteto (Heiner Muller) Direcção e cenário. Prod. TNSJ | CCB; L´Isola Disabitata – (Opera) (Mazonni-Metastasio) – Direção e cenário. Prod. CCB | DivinoSospiro. O Pássaro de Fogo (Stravinsky, F. Duarte) Dramaturgia e direção - Bailado – Companhia Nacional de Bailado | Orquestra Sinfónica Portuguesa; Andrómaca | Andromaque. Depois da guerra: humana, ainda demasiado humana! (Racine) – Espetáculo de graduaçõa | ESMAE - Teatro Helena Sá e Costa; À espera de Godot | (Samuel Beckett) - Co.Prod. Ensemble - São Luiz Teatro Municipal - colaboração TNSJ; A Voz Humana (Jean Cocteau) Prod. Ensemble | São Luiz Teatro Municipal | Teatro Nacional de S. João | Festival Temps d´Images; Antigono (Ópera) CCB | Divino Sospiro; Dueto para Um (Tom Kempinsky) Prod. Ensemble | TNSJ.TECA | Porto; Alguém olhará por mim (Frank Mcguiness) Prod. Ensemble | TNSJ. Porto; Oleanna (David Mamet. Prod. Ensemble. Porto); Dois Homens (José Maria Vieira Mendes) Prod. Companhia de Teatro de Almada; A Senhora de Sade (Yukio Mishima) Prod. CCB; A Dama do Mar a (Ibsen) Prod. Ensemble | TNSJ.Porto; Variações à Beira de um lago | The Duck Variations (David Mamet) Prod. Companhia de Teatro de Almada; Quando Deus quis um filho |(Arnold Wesker) Prod. Ensemble; Senso (Boito /Visconti) – with Luciana Finaand Monica Calle - Prod. TNDMII; Berenice (Racine) Prod. TNDMII: Luz / Interior- Insulto ao publico (Peter Handke).Prod. JGM / Rita Só / Casa Conveniente; Estudo para Ricardo III / um ensaio sobre o Poder (W. Shakespeare). Prod. TNDMII; Moderato Cantabile (Marguerite Duras). Prod. TNDMII; A Fuga (Gao Xingjian). Prod. CTSintra: O Regresso de Ifigénia (YannisRitsos) Prod. Lucia Sigalho. Cadeia das Mónicas; Aos Crocodilos Mete-se-lhes um Pau na Boca | Le Rodeur (Enzo Cormann). Prod TNDMII; Doublages (Jean-Paul Wenzel). Prod. Fundação C. Gulbenkian.

 

Biografia Interpretes

 

pedro lacerda
PEDRO LACERDA

Nasceu em Lisboa em 71, teve uma educação cristã, católica e protestante. Frequentou o curso de Engenharia Electrotécnica e de Computadores. No Instituto Superior Técnico fez parte do grupo de teatro que ajudou a refundar e que agora dirige. Em 1996 entrou para o Conservatório, escola de Teatro e Cinema.
Entrou ainda durante o curso de teatro no Teatro da Cornucópia onde se estreou como actor
profissionalmente em 1997, com o espectáculo "Os Sete Infantes" encenação de Luis Miguel
Cintra. Trabalhou com o Teatro da Garagem, com os Artistas Unidos, ao Cabo Teatro, Teatro do Vestido, Teatro Experimental de Cascais, entre outros. Os últimos espectáculos em que participou foram: "Jardim Zoológico de Cristal" encenação de Sandra Faleiro para o Teatro Municipal São Luiz, “Constituição" de Micael Oliveira, para o Teatro Nacional, “hOtelo” adaptado e dirigido pelo próprio, espectáculo reposto no Teatro Municipal São Luiz, e “Socrates tem de Morrer” escrito e dirigido por Micael Oliveira.
Em cinema trabalhou com João Botelho, José Fonseca e Costa, Seixas Santos, Catarina Ruivo,
Jeanne Waltz, Edgar Feldman, Inês Oliveira entre outros.
Colabora com alguma regularidade em televisão participando em novelas e séries.
Tem uma relação estranha com o seu passado.

 

ivo alexandre
IVO ALEXANDRE

Fez o curso de Interpretação do Balleteatro Escola Profissional. Fundou a associação Ninguém juntamente com Anabela Faustino, Jacinto Lucas Pires e Sara Amado. Em teatro, como actor, trabalhou com os encenadores Jorge Silva Melo, Ricardo Pais, Giorgio Barberio Corsetti, Luís Miguel Cintra, Nuno Carinhas, Anabela Faustino, Paulo Castro, Teresa Sobral, Carlos Pimenta, Anatoly Praudin, Joaquim Benite, Carla Bolito, Nuno Cardoso, Marcos Barbosa, Rogério de Carvalho, entre outros. Colaborou com diversas entidades e companhias como por exemplo o TNSJ, TNDMII, T.Cornucópia, Teatro São Luiz, C.T.Almada, TEP, O Bando, Culturgest, Artistas Unidos, Assédio, Ensemble, Lilástico ou QatreL. Na encenação, destacam-se os trabalhos Email (desta tua mãe que tanto te ama) de Jacinto Lucas Pires, com produção Ninguém ou Mouchette/Colette de Arne Sierens e O Jogo da Salamandra de Jaime Rocha, com co-produção Filigrana Teatro/ Casa das Artes de Famalicão. No cinema trabalhou com Hugo Vieira da Silva, António-Pedro Vasconcelos, António Pinhão Botelho, Manuel Pradal, Tiago Guedes e Frederico Serra, Jacinto Lucas Pires, Paulo Castro, entre outros. Participou em várias séries televisivas tais como Equador, Liberdade 21, Lua Vermelha, Conta-me Como Foi, Ministério do Tempo ou Madre Paula.

 

nuno correia pinto
NUNO CORREIA PINTO

Natural de Sintra, nasceu no ano de 1969, mestre em teatro na especialidade de actor-marionetista, pela Universidade de Évora.
Começou a sua actividade artística na Esc. Sec. Stª Maria da Portela de Sintra quando tinha 15/16 anos e nunca mais parou. Desde então trabalha no Chão de Oliva – Centro de Difusão Cultural em Sintra, acumulando responsabilidades de direcção artística, actor, marionetista, encenador, gestão e produção.
Foi dirigido por Filomena Oliveira, João de Melo Alvim, José Ramalho, Antonino Solmer, Paulo Lages, Javier Yague e Jorge Listopad, João Garcia Miguel, Joana Craveiro, Carlos J. Pessoa, Igor Gandra, Eric de Sarria, Manuel Costa Dias e Carlos Pimenta.
Habitualmente cria, interpreta, encena espectáculos de teatro marionetas e de Teatro, com textos próprios ou de outros, para crianças e para adultos.
Agradece aos muitos formadores, encenadores e colegas, com quem trabalhou, que o ajudaram a crescer como pessoa e artista e retribui partilhando a sua experiência, em formações, aos outros.
Mestre em Teatro na especialidade de Actor-Marionetista, pela Universidade de Évora.

 

anabela faustino 6
ANABELA FAUSTINO

Fez o curso de Interpretação da Escola Profissional de Teatro de Cascais. Licenciou-se em História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Fundou a associação Ninguém juntamente com Ivo Alexandre, Jacinto Lucas Pires e Sara Amado. Em teatro, como actriz, trabalhou com os encenadores António Feio, Paulo Castro, Nuno Carinhas, Marcos Barbosa, Carlos Avilez, Ivo Alexandre, Fernando Moreira, Jacinto Lucas Pires, Mário Trigo, entre outros. Colaborou com diversas entidades e companhias como por exemplo o Teatro Nacional de S. João, Teatro da Malaposta, Filigrana, Seiva Trupe, Teatro Oficina, Maria Matos, Teatro Experimental de Cascais ou Ninguém Teatro. No cinema trabalhou com Jacinto Lucas Pires e António Pinhão Botelho. Participou em várias séries televisivas, tais como Anjo Meu, Conta-me Como Foi, Liberdade 21 ou Mulheres Assim ou Espelho D’Água.