Vinte, Oitenta ou Mais

Autor: Cardoso Pestanas
Encenação: João de Mello Alvim
Estreia: 1 de Março de 2003

 

 

Sobre o Espectáculo

“O importante é que o adulto se aperceba que a criança já sabe imensas coisas.(...) a maior parte das vezes (os adultos) ignoram que a criança já tem um saber, e que é um saber extraordinariamente importante, e partem do princípio de que o que elas sabem não tem valor nenhum, o que é perfeitamente errado e prejudicial”

João Santos, in “Se não sabe porque é que pergunta?” edição Assírio & Alvim, 1988

 

Um espectáculo para a infância e não um espectáculo infantil, foi o pressuposto inicial desta montagem, a que acrescentamos: o prazer da aventura, através do faz-de-conta; o apelo aos sentidos a (re) descoberta da criança que queremos que continue a existir dentro de nós.

Independentemente das boas razões que estejam na origem, e dos “gratificantes” resultados que se obtenham, a denominação “Espectáculo Infantil” lembra-nos sempre didactismos serôdios e condicionantes; parece-nos sempre que se está a fazer um espectáculo que não atingiu a maturidade, e que a maturidade é um estado bem chato. E   “se é chato, coça / coça faz ferida/ faz ferida vai ao médico / vai ao médico é caro/ isso é que é chato/se é chato, coça”, e nunca mais saímos daqui, como os adultas com as suas intermináveis normas normalizadas.

Preferimos trabalhar para a infância, num mundo de inocência, de cores que não desbotam, de raivas que se afinam e esfumam, de amor, num amor com, “de VINTE OITENTA minutos de comprimento, ou mais”

Quem somos nós adultos tantas vezes frustados, para impor normas de crescimento? E que tal, dar e receber as pequenas lições do dia-a-dia e partilhar os grandes sonhos de cada noite ? Ou ao contrário, de trás para a frente e vice-versa, que ajudarão as crianças no crescimento harmonioso e saudável, e nos ajudarão (a nós) a não ter tantas certezas?

João de Mello Alvim


Ficha do Espectáculo

Autor: Cardoso Pestanas; Encenação: João de Melo Alvim; Apoio à encenação: Tiago Matias; Intérpretes: Ana Fazenda e Alexandra Amaro (aluna do Curso de Iniciação Teatral do Chão de Oliva 2002-03); Cenário e Figurinos: Companhia de Teatro de Sintra; Operador de Luz e Som: André Rabaça; Grafismo e Fotografia: André Rabaça; Direcção de Produção: Maria João Fontaínhas; Assistente de Produção: Ana Rita Osório; Secretariado: Catarina Simões; Direcção de Montagem: Nuno Correia Pinto; Montagem: André Rabaça e Tiago Matias