Mostra de Teatro das Escolas de Sintra

O Chão de Oliva, estrutura criada em Sintra há 25 anos, esteve sempre ligada a uma forte vertente pedagógica. Os seus membros fundadores, quase todos também ligados profissionalmente à educação, viam na expressão dramática e no teatro formas potenciadoras de seres humanos mais completos e genuínos. Nesta intenção foram-se criando vários eventos simples (ateliers, workshops de formação, performances, exposições) até se chegar a uma forma/fórmula mais completa e evidente, que se denominou Mostra de Teatro das Escolas.

A Mostra de Teatro das Escolas teve, na sua génese, a inspiração nos denominados “Encontros de Teatro nas Escolas”, organizados pela Associação Cultural com o mesmo nome. Destes “Encontros”, iniciados em 1980, participou e foi Presidente da referida Associação durante vários anos João de Mello Alvim, nos primeiros tempos da sua carreira como docente, no norte do País.

Com a sua vinda para Sintra, onde continuou a exercer a sua profissão na Escola Secundária de Santa Maria, o então e actual director artístico do Chão de Oliva trouxe a “5ª edição” deste evento consigo - e muitos sonhos no bolso para fazer crescer a expressão dramática em Sintra.

A Mostra de Teatro das Escolas de Sintra surge assim em 1992, numa ideia do Chão de Oliva adaptada às especificidades deste concelho e com a parceria da Câmara Municipal de Sintra, que tem sido apoiante activa desta iniciativa ao longo dos anos.

Com a intenção premente de incluir a expressão dramática nos currículos escolares, a Mostra de Teatro das Escolas tem-se mostrado uma iniciativa única em todo o país, revelando um campo que encontra “na(s) escola(s) um vasto e fértil campo para semear e colher”.

Passadas mais de duas décadas sobre a 1ª edição, pode-se atestar os frutos visíveis e invisíveis deste “movimento teatral interior”, onde o desenvolvimento de competências pessoais e sociais tem levado à constituição de uma espécie de “acervo de experiências”. Os tais seres humanos que desde o início se pretendiam mais íntegros e conscientes “da sua posição no cosmos (…), da sua personalidade” e, mais que tudo, preocupados em “fazer do aperfeiçoamento interior a preocupação máxima e fim último da sua vida” são aqueles seres humanos que, tendo passado pela Mostra de Teatro das Escolas, evoluíram e quiserem estar “mais além” nas várias vidas que o palco e o mundo permitem.

As crianças que foram passando pela Mostra cresceram e cremos que alguns dos objetivos iniciais se têm, aos poucos, vindo a cumprir. Foram plantadas as sementes. Muitos dos alunos de então são os “professores” de agora, espalhados pelos vários “mundos do trabalho” onde são “actores da sua própria vida” e onde fazem emergir a vida nos outros.

Mais do que uma Mostra de Escolas, esta continua a ser sobretudo o “viveiro de gentes” que não cruzam os braços e que trouxeram e continuam a trazer “vida (às) escolas praticamente todo(s) o(s) ano(s)”.