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| Compª Teatro Sintra / Arte Pública_Beja |
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Sobre este espectáculo
Uma jovem mulher prepara-se para levar os seus dois filhos à escola: é dia de récita. As crianças, vestidas de duendes, brincam, aos pulos, na cama. Clarisse, a Mãe, está vestida de fada, pronta para participar naquele momento de fantasia.
Lembra-se então de que, antes de sair de casa, terá de colocar os sacos de lixo no contentor. Ei-la, vestida de ser mágico, a cumprir as rotinas diárias dos pobres mortais. Clarisse dirá “Até já” aos filhos, enquanto fecha a porta do apartamento, desconhecendo que será, para sempre: “até sempre” - e que, quando pisar a rua de alcatrão saindo do empedrado do passeio, estará, de facto, a passar uma fronteira: a daquilo a que chamamos de vida, para aquilo a que nos habituámos a chamar de morte.
Debruçando-se sobre a impermanência e o efémero, a fragilidade das nossas convicções acerca da vida, construídas por sucessões de hábitos e de rotinas, AQUI FUI: CLARISSE. é um poema onírico que se instaura cenicamente através do diálogo entre a música, o canto, a representação e os universos sonoros e visuais, guiado por Adaíl – Aquele que mostra o Caminho – no momento do inesperado passamento de Clarisse - cuja consciência atravessará os estádios de estranheza – do espaço e do tempo – de negação, de talvez discernimento, de interrogação, de recordação, de apego e hesitação - até à aceitação da sua morte física.
Da autoria de Gisela Cañamero, a proposta dramaturgica é ancorada nos pressupostos de um dos principais intérpretes do budismo tibetano no ocidente, Soyal Rinpoche, e, poeticamente tocada pelos universos de Clarice Lispector, David-Mourão Ferreira, Ruy Belo ou de António Franco Alexandre.
Gisela Cañamero
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